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3.12.08

Um Apologo de Machado de Assis

Surpreendente o conto de Machado sobre a agulha e a linha. Quao eloquente e atual o tema onde o trabalho de um se faz a gloria do outro, onde o humilde e explorado ator se ve emaranhado em uma rede de eventos em que o superficial brilha pela ignorancia dos demais, e o profundo e elaborado, meramente camuflado como os nos por detras das lantejoulas. Que para manter as aparencias se esquece o conteudo e se devota uma vida inteira a ser aquilo que se acha mais aceitavel (e a citar: em qual conceito?) e que se investe tempo e dinheiro em esconder aquilo que nao se quer que o outro veja, como se para curar uma ferida profunda bastaria um parche e um arremate e pronto. E o trabalho humilde nao so nao chega a ser visto quanto menos dito e devidamente recompensado. Quantos de nos somos meras agulhas a bordar fios invisiveis no amago do mundo e preenchendo os buracos da vida em um interludio em que o protagonista ja nao precisa ser aquele que faz mas aquele que o acompanha, como se o segundo plano fora tao mais rico de sensacoes (porem muito mais vulneraveis aos defeitos e a sordidez da ambicao, onde a classe operaria nao leva mais que seu pao amassado pelas maos endurecidas e molhado com o suor do seu rosto).

Bem deixo registrado que foi somente depois de ler a obra de Machado que me inspirei a escrever contos e poemas. Uma das minhas primeiras poesias, que escrevi com esmero em meus meros onze anos de idade e que aqui transcrevo decor e de coração (ja que a tenho na palma da minha mão) e que por um afã pessoal de fã de Machado não poderia senão guarda-la no fundo do peito, tinha como narrativa e tema um dos personagens mais famosos de sua literatura, a "Capitu dos olhos de ressaca" e eu que naquele tempo nem entendia muito bem qual era o verdadeiro significado da palavra "ressaca" (e ainda bem entao):

"Bonita e sorridente,
com olhos de ressaca,
Capitu se ve em frente
da grande vidraça.

A loja com seus vestidos,
Capitu com seus sentidos
quer tudo, tudo para ela,
quer se vestir de donzela."

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