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11.5.12

Soneto dos Nordestinos

Espanta-me que um soneto que eu escrevi há trinta anos (e que eu ainda sei de cor) e que foi publicado pela editora do colégio Mackenzie sobre a seca que estava acontecendo no norte do Brasil ainda é tão atual. Não apenas porque ele mostra um fato que não mudou em nada nas últimas três décadas, a reflexão vem do fato de que nada foi feito ou foi realmente alcançado realmente em termos de tecnologia. Parece que tanto tem sido desenvolvido em prol do progresso, mas tão pouco temos avançado em ajuda humanitária. Se o mundo inteiro tem os olhos na floresta amazônica, por que não olhar um pouco mais profundo e no núcleo para perceber quantas pessoas estão sofrendo não só com a inundação do rio Amazonas, mas também com a seca. Então, por que não investir em sistema de irrigação quando tantos animais e as pessoas estão vivendo precariamente ou morrem com a seca e fome? Aqui deixo mais uma vez o meu soneto esperando um dia meus versos serem considerados de um passado há muito tempo ido e ainda fora de moda: Soneto dos Nordestinos

O sol chorou de emoção
com o suplicante pedido
"Água, quero água, irmão!"
A boca seca, o halito ardido.

Doutor sol receitou uma chuva,
um alivio imediato aquela dor.
Pensou "Caiu como uma luva!"
Não pensava que aumentara o calor.

A chuva invadiu casas, derrubou arvores.
Mitigou corações e despedaçou lembranças.
Corroeu as veias da terra em dissabores.

E a esse povo que ainda tem esperança,
Nao se sabe ao certo o destino dessa gente
Ilhada, humilhada e esquecida completamente(?)
O "completamente" entre parágrafos e com um ponto de interrogação, pois eu nao esqueci nunca.
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